Não sou crítica profissional de cinema, mas acho que posso falar um pouco do que assisto na vida, afinal, amo filmes.
De tanto ouvir falar bem do filme "Cisne Negro", resolvi assisti-lo, confesso que com muita vontade, afinal o filme prometia suspense, drama e boa carga de psicologia, quisá psiquiatria. Enfim, me convenceu.
Ao assistir, ja tendo buscado informações anteriores sobre ele (procurem não fazer isso), algumas coisas ja me eram esperadas. Mas mesmo assim, o filme consegue te prender de alguma forma, talvez por curiosidade, talvez por identificação com algo, ou somente pela bela obra de Daren Aronofsk.
A suavidade com boas doses de realismo criada pelo diretor sobre o mundo do balé, enchem os olhos. Fiquei encantada principalmente por ele ir sempre pelos opostos nesse filme. A doçura dos movimentos em contraste com as rigorosas cobranças a quem dança. O suave deslizar da coreografia, a incrível semelhança com os movimentos de cisne, com as imperdoáveis falhas e contusões que podem ocorrer com tão pesados ensaios.
_Perfeição_esse me parece um objetivo plausível de se querer chegar participando desse universo artístico primoroso, nada mais que a perfeição, entendendo e sentindo de fato o que Nina queria de toda forma. Os corpos magros, as regras, os movimentos que saem do real a um ser humano conseguir com facilidade. A meu ver, ela não queria mais do que qualquer um ali.
O diretor não só usou câmeras na mão, mas chegou aos extremos, os opostos bem marcados, com as cores preto e branco, das roupas à decorações. A roupa de Nina acompanha a transição de cisne branco para cisne negro o tempo todo, sendo que ao meio dela, o cinza aparece.
O drama psicológico, as visões, a busca pelo que seria impossível a ela, não são somente o que o filme traz, e sim, um rico trabalho de direção e roteiro, além da grande atuação, da também extremada Natalie Portman.
Da virginal insegura e desprotegida, de feição assustada e frágil, usada como máscara para Nina ainda cisne branco, em alusão a atuação usada na apresentação, para finalmente chegar ao que nem nós que assistimos, sabemos ao certo o que vai surgir.
Mergulhamos no mundo da suavidade, beleza e loucura, da esquizofrenia bem caracterizada ao verdadeiro encantamento.
Sofremos com a angustia e desilusões, com as ilusões da persoonagem principal, e claustrofobia criadas pelos cenários. Natalie Portman 10 kilos mais magra, 10 vezes mais intropectiva, 10 vezes mais brilhante.
Vale a pena, se quiser assistir ao jogo psico-visual, o tão falado "Cisne Negro".